NEOFOBIA ALIMENTAR – COMO LIDAR 3


A neofobia alimentar é o medo de consumir alimentos novos que de início são considerados estranhos. Este comportamento protege as crianças de comerem algo estragado, tóxico ou impróprio para consumo e é mais comum entre um e sete anos. A neofobia tende a melhorar com a idade, o que não significa que é exclusivo das crianças.

Essa tendência a rejeitar determinados alimentos tem valor de sobrevivência e parece haver uma preferência inata pelos sabores doces ou salgados, que costumam ser fonte de energia, e rejeição de alimentos com gosto amargo e azedo, que remetem aos venenosos.

Neofobia Alimentar

A neofobia alimentar infantil pode ser influenciada pela neofobia parental, ou seja, se os pais não consomem determinado alimentou ou grupo de alimentos, essa rejeição pode passar para os filhos.

Além da preferência pelo sabor, que é algo único e pessoal, existe a influência de fatores econômicos, psicossociais, culturais, familiares e biológicos. Entretanto, a influência mais marcante na formação dos hábitos alimentares de um indivíduo é o produto da interação da criança com a própria mãe ou a pessoa mais ligada com a sua alimentação.

A primeira influência ambiental acontece durante a gestação. Como já foi dito aqui, as crianças tendem a consumir os mesmos alimentos que a mãe consumia durante a gestação e amamentação. Outro meio que proporciona a familiaridade para estabelecer um padrão de aceitação alimentar, além dos sabores variáveis do leite materno, é a exposição repetida aos alimentos.

Neofobia Alimentar em Crianças

Os pais estão sempre influenciando seus filhos, não só no que diz respeito à alimentação. São modelos, e suas preferências podem resultar em maior disponibilidade de certos alimentos em casa, gerando oportunidade da criança conhece-los. A aceitação costuma ser maior quando as crianças se familiarizam com frutas e legumes em casa, pois como já foi dito anteriormente, elas gostam que já conhecem.

Estudos mostram que as preferencias alimentares infantis influenciam no estado nutricional, o problema é que essas preferencias nem sempre condizem com as recomendações nutricionais, causando o aumento do sobrepeso e obesidade em diversas faixas etárias.

Contudo, o hábito ou padrão alimentar não é sinônimo de preferência alimentar. A preferência é o ato de consumir os alimentos que mais gosta quando há a possibilidade de escolha. Porém, muitas crianças consomem apenas o que gostam e rejeitam o que não gostam (ou não conhecem).

Criança que não come legumes

As escolhas alimentares, as regras e normas da alimentação são estabelecidas pelo grupo social, afinal de contas, as crianças não comem apenas por sentir fome, mas pela sugestão do ambiente. Além disso, quem compra e prepara os alimentos são os adultos. Pode-se oferecer à criança tanto uma refeição que vá de acordo com suas preferências como uma refeição que vá de acordo com suas necessidades nutritivas, e isso depende de seus familiares. Assim sendo, ambientes desfavoráveis podem levar a distúrbios alimentares que podem permanecer por toda a vida.

Uma alternativa para enfrentar a neofobia das crianças é incentivar o consumo de outros alimentos permitindo contato com sabores, texturas e cheiros antes desconhecidos. Por outro lado, se isso não ocorrer, haverá restrição de experiências alimentares e construção de uma dieta monótona e, possivelmente, não adequada às necessidades da criança.

O ser humano possui a capacidade de moldar suas preferencias alimentares, o que é considerado uma vantagem. Estudos com bebês e crianças de até cinco anos mostram que as preferências alimentares aumentam com exposições repetidas em comparação com a não exposição.

A aversão a alguns alimentos pode ser transformada em apreciação com a experiência de repetidas degustações ou exposições, e quem é melhor para influencia-los do que os próprios pais? Convidar a criança a experimentar uma um alimento que já foi diversas vezes rejeitado, sem preocupação com a quantidade, aumenta a sua aceitação. Contudo, se essa exposição não ocorrer a preferência por esses sabores diminuirá.

Neofobia Alimentar

Os pais devem encorajar as crianças a experimentar novos alimentos e são responsáveis por gerar essas oportunidades, bem como seguir de exemplo no consumo de frutas e hortaliças para que a criança tenha uma alimentação variada e balanceada garantindo todos os nutrientes necessários.

É muito importante que os pais não desistam antes de 10 ou 15 tentativas, pois é a exposição repetitiva que ajuda na redução da neofobia. Outra alternativa que pode levar à redução de respostas neofóbicas é fornecer informações acerca do sabor dos alimentos, textura, apresentar os alimentos de forma atrativa e ter comportamentos alimentares adequados em frente às crianças.


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3 thoughts on “NEOFOBIA ALIMENTAR – COMO LIDAR

  • oquehouvecomacouve Post author

    Oi Silvana, tudo bom?

    Se quiser conversar melhor sobre a sua sobrinha, fique a vontade para me escrever.
    Beijos, Luiza

  • Silvana Novaes

    Tenho uma sobrinha de 3 anos de idade que foi abandonada pela mãe e que não aceite nenhum tipo de alimento, só come batata frita, leite, maçã e muito chocolate e se recusa a experimentar qqr outro alimento.

  • Danielli

    Tenho quase 40 anos e posso dizer que tenho neofobia até hoje. Está melhorando, aos poucos. Hoje me atrevo a experimentar algumas coisas. Adoro molho de tomate, o sabor que ela dá nas preparações. Mas comer o tomate, mastiga-lo cru, ainda é desafio para mim. O mesmo vale para cebola e alho. Frutos do mar… estes estão totalmente exclusões da minha vida. Não aguento nem o cheiro. E olhar para um polvo ou lula me causa certa repulsa. Aquela história de prato colorido não funciona comigo. O meu é uma espécie de degrade entre o branco e o marrom-preto.
    Estou tentando me alimentar melhor. Já consegui alguns milagres! Ainda bem que gosto de grãos e oleaginosas. Senão estaria perdidinha da silva! Otimo texto! Obrigada por compartilhar!